Resenha: Garota em Pedaços - Kathleen Glasgow

15 maio 2017




Além de enfrentar anos de bullying na escola, Charlotte Davis perde o pai e a melhor amiga, precisando então lidar com essa dor e com as consequências do Transtorno do Controle do Impulso - um distúrbio que leva as pessoas a se automutilarem. "Viver não é fácil". Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica - para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida -, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.
Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo.

Edição: 1
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9788542209334
Ano: 2017
Páginas: 384


"Eu cortei todas as minhas palavras fora. Meu coração estava cheio demais delas."
Olá leitores, hoje eu estou aqui para compartilhar com vocês a resenha desse livro, que inesperadamente se tornou uma leitura extremamente especial para mim. Garota em Pedaços da Kathleen Glasgow foi publicado no Brasil pelo selo Outro Planeta da editora Planeta de Livros e nos apresenta a história de Charlotte Daves, ou Charlie, uma jovem de 17 anos, mas que no seu pouco tempo de vida, já viveu bem mais do que muito adulto de meia idade por aí.

A história é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista de Charlie e começa a ser contada quando ela desperta numa clínica psiquiátrica após uma tentativa de suicídio. No início da leitura Charlie está numa situação psicológica tão drástica que ela não se comunica verbalmente, mas ao longo de sua estadia ela vai  conhecendo as outras pacientes da clínica e pela primeira vez na vida ela percebe que não está, só naquela situação, existem mais garotas como ela e isso de certa forma, faz com que ela se abra e melhore. Lá ela faz amizades e cria vínculos sociais, também refaz vínculos com um amigo de um passado que para ela parecia tão distante que era quase outra vida. Enquanto nos narra sobre a sua estadia na clínica, ela também nos conta o que aconteceu fora e que acabou a levando a fazer o que fez, a morte do pai, o desprezo da mãe, o bullying que sofria na escola, perder sua melhor e única amiga, viver na rua, ser abusada é isso o que ela conheceu do mundo.
E então, o seguro que pagava a estadia de Charlie na clínica é revogado e para o seu desespero ela recebe alta, o que a faz entrar em desespero. Mais uma vez ela está na rua sozinha e teme que tudo se repita.
Porém, o destino providencia que ela se mude de Minneapolis para Tucson, no Arizona, um estado de temperatura e costumes bem diferentes do que ela está habituada e é lá que Charlie receberá a oportunidade de retomar a sua vida e escrever uma história diferente, através da sua forma de expressão, a sua arte, mas talvez mudar de vida não seja tão fácil assim.

Quando eu comecei a ler Garota em Pedaços, eu não imaginei que a história iria mexer tanto comigo, eu não imaginei que iria mergulhar tão fundo. O livro é dividido em três partes e no final da primeira eu já estava completamente cativada pela personagem, me identifiquei com ela em vários pontos e sofri ouvindo a sua história. Essa primeira parte que retrata a estadia de Charlie na clínica me lembrou um pouco o livro Garota Interrompida, por se passar numa clinica psiquiátrica e retratar garotas que são mantidas as margens da sociedade, interagindo entre si e se conectando, porém as semelhanças param por ai.
A segunda parte começa quando Charlie sai da clínica e parte para Tucson e é ai que as coisas começam a pesar, uma vez fora da clínica ela se sente à mercê e todas as péssimas sensações voltam. E a narrativa dada em primeira pessoa é tão profunda e pessoal, que nós partilhamos dos sentimentos da personagem, carregamos as suas situações e as suas ansiedades, seus medos e seus desesperos. 
E a terceira parte da história acontece após uma reviravolta que acontece na segunda parte e que eu não posso descrever, pois daria spoiler, mas que acaba por nos conectar ainda mais com a personagem.

Eu posso dizer que sem dúvida gostei muito da leitura. A narrativa da Kathleen é brilhante e nos faz vestir a personagem e sentir as mesmas coisas que ela. A Charlotte têm TCI (Transtorno do Controle do Impulso), em outras palavras, ela se automultila, especificamente, ela se corta e isso feito à longo prazo deixou marcas profundas não só na sua alma, mas na sua pele também e para ela que já sofria bullying foi terrível, porque fazia com que as pessoas a tratassem ainda pior.

"O grande problema é que, quando começa a automutilação, você nunca consegue não ser uma aberração horrorosa, porque seu corpo todo se transforma em um campo de batalhas marcado e queimado, e ninguém gosta disso numa garota, ninguém vai amar isso, e, assim, todas nós, cada uma de nós, está ferrada, por dentro e por fora."

A automultilação é algo que muita gente diz que é frescura, que apresenta o transtorno ouve muito que "Tá querendo aparecer", mas, não! Não minimizem a dor dos outros e nem aceitem que o façam. O TCI é um problema psicológico grave que afeta muitas pessoas em todo o mundo, e principalmente adolescentes. Quem tem esse transtorno têm tendência a internalizar as suas dores, seus traumas, problemas, desilusões, etc... e culpa e pune a si mesmos.

A obra não romantiza o assunto, pois a autora escreve com a propriedade de quem têm o transtorno e deseja dar visibilidade a ele dentro da sociedade. Ela não nos brinda com um final feliz, mas com um final que nos faz pensar e refletir, sobre essa questão e o poder que nós temos, o quanto nós podemos ajudar ou machucar essas pessoas? E o quanto disso nós fazemos? Fechamos os olhos para bullying, situação de abuso, negligência familiar? Achamos frescura, quando um adolescente ou um jovem deixa isso transparecer de forma autopunitiva ao invés de ajudar?

É por esses e outros motivos que eu recomendo a leitura dessa obra, para adolescentes, jovens, pais, professores, com o aviso de que a obra possui GATILHOS EMOCIONAIS que podem fazer com que pessoas que tenham o transtorno se sintam mal e até mesmo tenham recaídas, por isso digo leia, se estiver pronto, para uma leitura profunda que mexerá com seus sentimentos.

Eu gostei muito da história da Charlie é uma personagem que eu guardei no coração, esse livro eu vou levar pra vida, mas uma das coisas que mais me tocou na leitura foi ler a nota da Kathleen e ver o relato de uma pessoa real que viveu/vive o que é ter TCI e conseguiu dar a volta por cima.

"Anos atrás eu não queria escrever a história das minhas cicatrizes, nem sobre como é ser uma garota com cicatrizes, porque já é difícil o suficiente ser apenas uma garota no mundo. Experimente só ser uma garota com cicatrizes na pele, neste mundo." - Kathleen Glasgow

Pra finalizar, vou falar da edição da Outro Planeta que está linda, a diagramação está super organizada, a fonte é bem agradável de ler, eles mantiveram a ideia da capa original, que é simples, linda e encaixa muito bem com toda a história.

Espero que tenham gostado da resenha, não deixem de me dar suas opiniões, digam se conheciam a obra, se já leram, ou se pretendem ler. Eu preciso de pessoas pra conversar sobre esse livro!
Fiquem com um dos meus quotes preferidos:

"Eu me corto porque não consigo lidar com as coisas. é simples assim. o mundo se torna um oceano, o oceano cai em cima de mim, o som da água é ensurdecedor, a água afoga meu coração, meu pânico fica do tamanho do mundo. Preciso de libertação, preciso me machucar mais do que o mundo pode me machucar. só assim posso me reconfortar."

Se você gostou dessa resenha e ficou interessada em fazer a leitura, vou deixar uma dica visitem o site http://www.cupomvalido.com.br/ o site reúne várias promoções e cupons de desconto que sem dúvida vão te possibilitar adquirir o livro por um precinho bem camarada, não perca essa oportunidade.

Beijooos

9 comentários:

  1. Cada vez que você fala desse livro me deixa com mais vontade ainda de ler. Adorei a resenha.

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  2. Intensa essa resenha Kris, eu preciso pegar esse livro para ler. O tema foi a primeira coisa que chamou a minha atenção. Bjkas

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  3. Oi Kris, não conhecia o livro, mas fiquei bem interessada nele. Um enredo intenso e denso, que com certeza mexe com o leitor. Dica anotada.
    Bjs Rose

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  4. Oi Kris, adorei sua resenha.
    Só não digo que vou ler esse livro por causa da intensidade emocional que ele trás, acho que nesse momento da minha vida ainda não estou pronta para ler algo tão forte e intenso.
    Mas a dica está anotada porque a leitura deve ser realmente incrível e real, mostrando como é a vida de alguém que sofre deste transtorno

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  5. Esse livro parece ser mesmo incrível!! Já anotei na minha lista!
    Acredito que precisamos mesmo de mais e mais obras como essa que retratam doenças mentais como elas são: algo que precisa ser tratado e não uma "frescura" ou "fraqueza", me aperta o coração saber que muitas vidas poderiam ser salvas se não existisse esse preconceito idiota.
    Bjss

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  6. Oi, não conhecia esse livro, mas gostei muito de sua resenha, e fiquei muito curiosa em saber mais sobre essa história, como ela irá superar seus problemas...Valeu a dica! Bjs

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  7. Esse livro parece possuir uma leitura bem pesada. Já li vários do gênero, mas mesmo assim, para mim, é sempre uma história completamente nova. Pois mais que tenha algumas coisas em comum, são pessoas diferentes ao meu ver. E é exatamente assim na vida real, ninguém é igual e portanto ninguém possui problemas iguais, no máximo parecidos. Achei interessante a parte em que você fala sobre os gatilhos, eu acho que esse tipo de livro é mais enriquecedor para quem não possui problemas similares do que para quem já está passando por isso. Pois ele desperta a empatia, faz com que nos coloquemos no lugar de quem está passando por isso. Adorei a sua resenha.

    Bjs.

    www.ciadoleitor.com

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  8. Já tinha visto o livro pelas redes sociais, mas ainda não tinha parado para prestar a atenção sobre o que ele tratava. Lendo sua resenha concordo plenamente que livros assim precisam ser lidos e debatidos, principalmente, em escolas e famílias com adolescentes. Não se pode mais fechar os olhos para algo tão grave assim. As pessoas estão cada dia mais sozinhas e com problemas psicológicos e desequilíbrios emocionais graves, então como vc disse não tem nada a ver com 'querer aparecer' e sim se colocar no lugar do outro e tentar ajudar, ou pelo menos não piorar a situação dele.
    Mas enfim gostei de conhecer um pouco mais sobre o enredo do livro, mas no momento não é uma leitura que me estimule, mas anotei para indicar as amigas que gostam desse estilo de leitura crítica e forte.
    Parabéns seu texto ficou ótimo 💕🤓😘📚💕

    Leituras, vida e paixões!!!!!

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  9. Oiii Kris!
    Não conhecia a obra,fiquei super curiosa para ler o livro, a forma que você falou do livro é incrível, me deixando ainda mais curiosa para conhecer a obra, obrigada pelas dicas.
    Abraços**
    http://FebredeLivro

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