Resenha: Uma Praça em Antuérpia, de Luize Valente

21 agosto 2015


Ficha Técnica

Edição: 1
Editora: Grupo Editorial Record
ISBN: 9788501103178
Ano: 2015
Páginas: 364
Sinopse: Após sua estreia literária com O segredo do oratório, sucesso de público e crítica, Luize Valente volta a mergulhar, de maneira ainda mais surpreendente, na história de uma família de migrantes em Uma praça em Antuérpia. Com domínio da narrativa, que vai e volta do ano-novo de 2000 em Copacabana para os anos da eclosão da Segunda Guerra na Europa, Luize reconstitui a desgraça imposta pelo nazismo aos judeus, razão pela qual muitos deles viriam fazer a vida no Brasil. Reunindo sensibilidade pelo drama humano e extensa pesquisa histórica, Luize retrata a chaga do nazismo na miudeza do cotidiano, na intimidade das famílias alemães e europeias, com bárbaros desdobramentos em Portugal, no lar de Clarice e Olivia, de onde a narrativa parte para ganhar o mundo e o Brasil. Acompanhamos a fuga de Clarice e seu marido, o pianista judeu Theodor, por grande parte da Europa, sempre um passo à frente da perseguição nazista, fuga que leva parte da família a cruzar o oceano. Como se não bastasse essa narrativa de tirar o fôlego, Luize presenteia o leitor com um final emocionante e totalmente inesperado.

Resenha

Como se poderia esperar de uma narrativa que se passa na Segunda Guerra, Uma praça em Antuérpia é um volume a ser lido com uma caixa de lenços e muito café do lado.
Com uma linha cronológica que vai do ano 2000, de uma cobertura de luxo em Copacabana, a 1916, em uma pequena vinha em Portugal, e passa pelos anos 30 e 40, em fuga pela Europa, Luize Valente constrói magistralmente o período, com descrição concisa e eficiente, e uma carga emocional surpreendente.
Contar sobre o enredo é tarefa delicada, pois logo nas primeiras páginas, Luize já nos apresenta um segredo impactante, e eu seria uma pessoa péssima se furtasse de vocês o prazer de descobri-lo na leitura.
Clarice e Olívia são irmãs, e vivem sem carinho algum do pai, que se tornou um homem amargo após a morte da esposa ao dar à luz suas filhas.

Preocupada, a avó materna se junta à empregada da vinha, Lina, na tarefa de cuidar das meninas.
 O filho de Lina, Antônio é apaixonado por Olívia desde que a viu sair do ventre da mãe. Após a morte de Manuel, o pai das meninas, Antônio e Olívia se casam, e se mudam para Lisboa.
Clarice se junta ao casal após a morte da avó Bernarda, e a venda da quinta de Manuel.
Em Lisboa ela conhece Theodor, um rapaz que é judeu e comunista (vai vendo) e se apaixona perdidamente.
E é aí que a gente precisa parar de contar o que se passa, porque os dramas pessoais se misturam ao drama da guerra de forma intensa, e colocá-los aqui seria retirar de vocês o deleite, o desespero e a emoção de lê-los.

Paralelo aos antigos dramas das gêmeas, recontados pela avó,  temos também o drama de Tita, neta de uma das gêmeas, que deseja um bebê, mas segue tendo abortos espontâneos. A forma como ele escuta a história da avó tentando se desvencilhar do próprio drama também é comovente.
Cada pequeno pedacinho de história neste livro é desenvolvido pra tocar seu coração, e consegue. Cada personagem tem um drama que te faz querer chorar e tirá-lo de dentro daquele livro e dizer que tudo vai ficar bem.
Mas você não pode, porque o livro é real demais. Não há espaço para shippar, ou ter devaneios. O choque de realidade nas páginas deste volume é intenso e impressionante, e devastador, e não há palavras impactantes o suficiente para descrever a destreza com a qual Luize Valente parte nossos corações e esperanças durante a leitura.

Romance, guerra e realidade crua e pulsante. Se você não terminar este livro em meio a lágrimas, eu honestamente acho que não tem nenhum coraçãozinho aí dentro.

12 comentários:

  1. Eu sei como é ler um livro que se passa em uma época muito distante, por exemplo eu li um da era medieval e achei demais! Voltando a sua resenha, não curti muito essa capa, mas gostei do que ele fala... Ótima resenha.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  2. Olá!
    Apesar de parecer interessante, eu não gosto de livros que falam sobre períodos de guerras e afins, sempre acabo a leitura me sentindo uma bosta, então prefiro livros mais leves.
    Meu namorado curte bastante, vou indicar para ele!
    Beijão!

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  3. Bom, apesar da resenha super positiva sobre esse livro, ele não me despertou interesse, então no momento eu não pretendo ler, quem sabe futuramente eu mude de ideia, mas sua resenha está muito boa.

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  4. Não conhecia esse livro, mas gostei bastante da sinopse e resenha.
    Livros que contam histórias de épocas de guerras sempre me encantam, e esse parece ser um livro belíssimo. Como é bom ler um livro bem escrito, que nos transporta para dentro da narrativa, nos tocando e provocando tantas emoções.
    Eu gostaria muito de ler esse livro, e já adicionei em minha lista de leitura ;)
    Bjs!

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  5. Olá
    eu curto muito livros que falam de períodos de guerra, curto muito coisas assim, kk, sou muito fã da história, espero poder compra-lo, adorie a sua dica
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  6. Oie! Tudo bem?

    Como eu não conheci esse livro antes??? Tem tudo o que gosto. Sério, tô triste comigo mesma! hahaha Mas ainda bem que você passou essa dica. Vou ver se tem disponível pelo Kindle Unlimited pq estou doida pra chorar com esse livro! hahahah


    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  7. Olá Amanda, o livro parece ser muito bom e trazendo vários temas legais e uma boa carga emocional, não conhecia ele, mas agora já esta na minha listinha de desejados *--*

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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  8. Amanda, pelo que você escreveu deve ser mesmo uma história de partir o coração e te fazer chorar, porém não me interesso pela leitura, pois não gosto de histórias que se passam na Guerra.

    Lisossomos

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  9. Amei sua resenha!
    Gosto de obras assim, que valorizam os sentimentos e a descrição correta das circunstâncias. Com certeza, foi para a minha enorme lista de livros a ler (rs). Gostei da menção à carga emocional da obra.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  10. OI Amanda!
    Adoro livros sobre a segunda guerra, mas pelo que você disse é de chorar muito e eu estou numa fase para evitar esses livros, MAS vou deixar bem anotado aqui pra não esquecer de ler em um outro momento!
    Beijos

    LuMartinho | Face

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  11. Que resenha linda. Tive a oportunidade de ler esse livro e deixei passar. Mas to numa vibe que não quero chorar, então acho que fiz bem hahaha
    http://odiariodoleitor.blogspot.com.br/

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  12. Oii!

    Acho que não irei ler pois com certeza vou chorar no final desse livro e não estou nesse clima. Amei a sua resenha, está muito linda!

    Beijos, Amanda
    www.vicio-de-leitura.com

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