Resenha: Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades, de Dalton Trevisan

30 abril 2015

Edição: 8ª - 4ª impressão
Editora: Ática
ISBN: 8508037627
Ano: 2002
Páginas: 64

Sinopse: Os quinze contos deste livro- que constituem algumas das obras-primas da arte de escrever de Dalton Trevisan - não foram reunidos por acaso. São histórias que formam um autêntico retrato de crueldades da vida. Personagens comuns - muitos deles João e Maria - vêem-se enredados em situações de conflito, mostrando a face trágica da convivência humana.
Mentiras e verdades participam aqui do mesmo jogo. Pode um filho matar o pai e sentir alívio? Podem os bêbados deitar-se para morrer na terra como os elefantes? Até que ponto pode uma mulher humilhar-se frente a um homem? Nestas páginas, o notável escritor paranaense demonstra ser um retratista implacável dessas e de muitas outras situações. Seus textos mostram a realidade como ela é. Suas frases curtas e objetivas não se desviam do alvo: relatar as tragédias de pessoas comuns, criando pequenos retratos de uma vida cruel. 
Minhas opiniões sobre o livro
Do jeito que tenho andado, contos e crônicas são a salvação da lavoura.
Não é preciso nenhuma entrega prolongada, as personagens mudam rapidamente, tudo é fácil, mesmo pra quem tá de ressaca.
Vozes do retrato é um livro composto por quinze histórias, que para mim falam muito mais sobre o abandono e a podridão do ser humano, do que sobre mentiras e verdades. Fala sobre como nos tornamos descartáveis, fala sobre como descartamos.
Sim, é deprimente. Mas é assim que eu sou. Eu gosto deste tipo de literatura, que desnuda a feia alma humana. Muito raramente gosto de algum livro bonito, alegre, com gente boa e sem falhas. Eu quero é ver o oco, porque é ele que é real.
Nas histórias, filhos abandonam seus pais, casais se abandonam, crianças abandonam seus bichinhos de estimação, pessoas abandonam outras para morrer. Todos contos muito reais, contados da mesma maneira fria e sem rodeios com a qual costumamos abandonar as coisas que já não nos interessam. Eles mostram o pequeno valor que a vida tem, e como as pessoas pouco se importam umas com as outras.
Temos no livro as histórias:

  • Firififi
  • Orgulho de mulher
  • Eis a primavera
  • O fim de Fifi
  • Maria pintada de Prata
  • Uma vela para Dario
  • O ciclista
  • Caso de desquite
  • O pai, o chefe, o rei
  • Clínica de repouso
  • Chuva
  • Vozes do Retrato
  • Me responda, Sargento
  • Cemitério de Elefantes
  • Penélope
Não dá para resenhá-las uma a uma, como costumo fazer com contos. São numerosas e curtas, e não dá pra começar a explicá-las sem estragar o prazer da leitura.
Dalton Trevisan tem uma escrita limpa, sintética e direta. Mesmo assim, melancólica e poética. Neste livro, não termina uma história sem que seja necessário parar um pouquinho e refletir sobre ela, absorvê-la e então retornar para a próxima. 
A leitura flui extremamente veloz, mas o livro é daqueles que continuam por um tempo na cabeça. Se você está de ressaquinha, ele é altamente recomendado. Se não está, também. Adorei, e queria mais umas páginazinhas. 
Pra quem tem curiosidade, povo de teatro simplesmente ADORA uma vela para Dario, e existem umas TROCENTAS adaptações no Youtube. Algumas hilariantemente ruins, outras aceitáveis. Outros contos, como Penélope, também podem ser encontrados.
É isso. Aos pouquinhos vou tentar me livrar dessa ressaca de mel que eu tomei. Rsrsrsrsrsr.
Beijos. 

2 comentários:

  1. tem um tempo que tô de olho nessa leitura... eu adoro Trevisan, e essa foi a primeira obra que conheci dele por causa de resenhas, quando li alguns contos dele, me apaixonei...
    :D

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    Respostas
    1. Val, é delícia pura, a pena é que é rápido como um espirro.

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