Resenha Especial: Augusto dos Anjos - Eu e Outras Poesias

18 outubro 2014

Um dos queridinhos da minha estante

Eu e Outras Poesias é o filho único do grande poeta Augusto dos Anjos. Havendo sido publicado inicialmente apenas "Eu" em 1912. Após sua morte em 1914, Órris Soares reuniu à coletânea original a produção de Augusto póstuma à publicação do livro, incluindo até o poema "A Meretriz" inacabado. Que veio a ser publicada em 1920 com prefácio do organizador e o título que conhecemos hoje "Eu e Outras Poesias".

O Mais complicado de escrever sobre Augusto é não saber muito bem como começar, ele assim como a sua obra, são de uma complexidade tão incrível que acaba sendo difícil tentar expressar em palavras o que eles representam. Ambos além de seu tempo, completamente originais, sinceros e incomparáveis. Não houve antes e nem depois um poeta que se assemelhasse a Augusto dos Anjos. Algumas vezes identificado como poeta simbolista, outras como pré modernista, para mim ele criou seu próprio gênero literário, dono de uma melancolia profunda, assimilada a um pouco de sarcasmo, filosofia e conhecimento em biologia, foi um dos poetas mais críticos de sua época, transpondo para suas obras aquilo que ele acreditava sobre vida e morte.


Essa parte vai especialmente para aqueles leitores que teimam em desvalorizar os autores nacionais, Augusto dos anjos, nasceu no Engenho Pau d'arco na Paraíba. É ele era NORDESTINO, o que me dá ainda mais orgulho. Foi um poeta precoce e compôs seus primeiros versos aos sete anos de idade. Foi educado em casa pelo pai, até ter idade de fazer faculdade. Formou-se em direito em Recife, mas nunca exerceu a profissão.

Augusto dos Anjos é sem dúvidas meu poeta favorito, tanto pela temática de sua obra, como pela forma que ela é escrita. Pela força e crueza, por mostrar o fim da ilusão romântica, por mostrar a morte como uma certeza e por falar dela de maneira incomum, exibindo em palavras o apodrecimento que de fato acontecerá com cada um, sem escapatória. A Poesia de Augusto, não é pra ser lida, mas sentida, e nada que eu fale aqui passará o que de fato ela representa. Leiam!

Seguem dois dos meus poemas favoritos e também dos mais famosos.


Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos

3 comentários:

  1. Ah Kris, Augusto dos Anjos é mesmo sensacional. Embora meu preferido de toda a vida seja Ismalia, do Alphonsus Guimaraens (a loucura me persegue) e eu seja viciada em Álvares de Azevedo, Versos Íntimos é de fato o que há de mais impactante na nossa literatura.
    Fodarástico.

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  2. Posso dizer então que temos algo em comum, porque Augusto dos Anjos também é meu poeta preferido! Boa parte dos poemas e poesias que fiz foram inspiradas em suas obras e já tive, inclusive, um outro blog no qual eu postava estas poesias e claro, era muito criticada por meus versos serem um tanto melancólicos demais. Nem preciso dizer que fiquei louca com esse livro né? Resenha perfeita Kris, parabéns.

    Mutações Faíscantes da Porto

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  3. Eu nunca fui uma leitora ávida de poesias, e também em aulas de redação sofria para escrevê-las. As vezes sinto uma lacuna na minha vida literária por não lê-los com mais frequencia, mas quem sabe não venha a se torna um hábito novo. Adorei o eu post, e me fez pensar sobre essa minha 'lacuna'.
    bjks
    www.aghridoce.blogspot.com.r

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