Resenha: Acima de Qualquer Suspeita - Scott Turow

09 setembro 2014

Edição: 9ª
Editora: Record
ISBN: 9788501031457
Ano:
1987

Páginas: 445


SinopseMulher estuprada e assassinada. Seria apenas uma nova pasta nos arquivos policiais da Cidade de Kindle e um caso a mais na rotina de Rusty Sabich, investigador da promotoria pública, não fosse a vítima Carolyn Polhemus, advogada cuja beleza e sensualidade sempre foram proporcionais à ambição. Além da tarefa ingrata de encaminhar as diligências sobre o crime envolvendo uma colega, pesa sobre Rusty a sensação de comprometimento: ele tivera um caso com Carolyn, e a descoberta deste detalhe causa uma reviravolta no rumo das investigações, colocando o promotor na condição de principal suspeito. Thriller policial com a marca inconfundível de Scott Turow, Acima de qualquer suspeita foi adaptado para o cinema em 1990, com direção de Alan J. Pakula e elenco encabeçado por Harrison Ford, Raul Julia e Greta Scacch



Minhas Opiniões sobre o Livro

Tive que quebrar a cabeça para descobrir como fazer essa resenha, e fazer com que minha opinião seja compreensível sem dar spoilers. Dos grandes e cabeludos. Mesmo com o livro já adaptado ao cinema, muita gente (inclusive eu) ainda não deve ter visto o filme, e estragar a brincadeira dos outros não é legal.
Acima de qualquer suspeita não é, de forma alguma, um livro ruim. Se você gosta de tramas de tribunal, e não for maluca como eu, provavelmente vai achá-lo bom, mas não é também, sob nenhum aspecto, o eletrizante thriller jurídico (bláblábá) descrito pelo(s) Times, cheio de sexo, política, poder (blábláblá de novo - roll eyes).

 Essa é minha cara, quando vejo essas críticas clichê de um livro.

Como sempre, tenho uma historinha, sobre como fui parar nas páginas deste livro.
Vendo as resenhas de Kris, percebi que nunca mais havia pego um livro de mistério pra ler, e estava mergulhada nas distopias e ficções.
Resolvida a mudar isso, Sexta-feira tive uma consulta com a psiquiatra, e como cheguei muito cedo, parei na livraria próxima ao consultório e pedi uma sugestão no gênero. O vendedor defendeu ENTUSIASTICAMENTE este livro, como sendo a melhor leitura dele, desde Sidney Sheldon. Como sou habitueé, e o mesmo rapaz já havia me dado dicas boas (apesar dele não gostar de Gaiman - isso sim é ser herege, viu Kris?), resolvi que este seria o meu livro de consultório. 
Bom, aí é que o negócio pega. Em um certo momento, eu preferi ficar olhando pro teto, do que ler o bendito do livro. 
Antes de me espancarem, explico: A escrita de Turrow não é ruim, embora (e isso é um problema do GÊNERO, não do autor) algumas passagens muito técnicas sejam realmente enfadonhas, a leitura não é difícil, e o vocabulário é bastante simples. Mas o livro incorre (já que estamos sendo jurídicos) em duas faltas que, para mim, são gravíssimas: 
  1. Não há um personagem com o qual podemos nos ligar. São todos absurdamente herméticos, e eu desconfio que todo esse Tuppaware seja um truque do autor pra não precisar desenvolver muito suas personagens. O principal, Rusty Sabich é - como ele mesmo assume em certo ponto do livro- um esquisitão.Um cara meio fechado,devido a uma infância ruim, casado com uma esquisitona, extremamente fechada, com uma infância ruim. Que tem um caso com uma mulher da qual pouco se sabe, além da infância ruim. E trabalha com um homem divorciado, que anda meio fechado por conto do divórcio. E por aí vai. Os únicos momentos que me prenderam um pouco, foram protagonizados por Alejandro Stern, advogado de Rusty. Do pouco que se fala dele, pareceu uma personagem bem mais palpável que todas as outras, mais importantes na história.
  2. Ok, é um livro de 1987. Ok, é uma trama policial, mas o preconceito come solto nesse livro. Machismo, Racismo, Homofobia, Xenofobia. Pra mim, que estou cansada de tudo isso, estragou BASTANTE o livro. Carolyn Polhemus, por exemplo, é uma mulher linda e bem sucedida. Não é ÓBVIO que ela transou com todo mundo pra conseguir chegar onde estar? E, por ser uma mulher determinada a subir na carreira, não é ÓBVIO que ela é uma vadia sem coração, que abandonou o maravilhoso marido e o filho pequeno, em busca de sua ambição? No decorrer do livro, tem mais um montão dessas coisinhas, mas não dá pra ficar citando, sem spoilar até o chão. Eu não sou nenhuma radfem ou patrulheira do politicamente correto. Mas é sério, tem MUITA coisa nesse livro que é dureza de engolir. 
Beleza, dito isso vamos pontuar mais algumas coisinhas: O sexo, poder, luxúria e traição, que permeia o livro, é uma bobeirinha sem tamanho. Só pra você se ligar, a vagina vira TRIÂNGULO SUBLIME e a ereção vira ESTADO PRIÁPICO
Para tudo! Que provocativo, que sensual, que pornô! Xemt...

Acho que nem uma vovozinha pra achar
o estado priápico no triângulo sublime essa coca-cola toda 


Tá Amanda, cala a sua boca, queremos saber do mais importante: E o mistério misterioso de quem matou Carolyn? Isso, pelo menos é bom?
Nhéeeeeeeeeeee se você não tem costume de ver filmes de assassinato, CSI, ler livros de suspense e talz, pode ser que você se surpreenda. Se você é aficcionado, esquece. Você vai matar a charada rápido. Talvez tenha suas dúvidas quanto a quem tentou incriminar Rusty, mas não quanto ao assassinato.
Pra encurtar a história, só li até o final porque queria resenhar o livro aqui. Principalmente depois do desfecho do julgamento de Rusty, as 42 páginas de livro restantes foram um desafio miserável.
É isso. Sintam-se livres para me esculachar.

8 comentários:

  1. Vixe, Amanda, meus pêsames porque sei que é um saco quando uma leitura se torna algo pedante.
    Ri muito com a tua resenha de quem comeu e não gostou, kkkk, mas é nisso que dá ler livro indicado por quem não gosta de Neil Gaiman, KKKK
    Tô até imaginando a cara o carinha da livraria lendo essa resenha (PASSA O LINK PARA ELE HAUHAUHAUHA)

    Véi minha dica sobre mistérios é: Na dúvida, vá de Agatha Christie, a mulher é fodástica e mesmo seus livros tendo sido escritos há tanto tempo, os finais são sempre surpreendentes, foram poucos os que eu descobri o criminoso antes do fim, os outros livros de mistério que leio, sempre descubro antes da metade do livro.

    Tô me rachando aqui com a história do estado priápico, eu precisaria de um dicionário pra saber que isso é uma ereção, hauhauha E triângulo sublime é podree, hauhauha

    No mais o livro tem uma cara de leitura "Cult" e acho que essa é uma vertente que não agrada a todo mundo mesmo, não. Boa sorte na próxima leitura, vai de Agatha que é sucesso!

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  2. Também ri com a resenha! rs... Nunca li o livro, só vi o filme mas até que gostei. Será que é daqueles casos raros em que o filme é melhor que o livro?

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    1. Pode ser, mas acho que o caso é mais que a Amanda, não é o publico alvo, do livro.
      Tem livro que dá certo pra uns e pra outros não né?
      Acho que foi isso.

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    2. É isso mesmo Kris, a verdade é que eu sou uma Cricri! Huahauahua. O livro é um best seller, afinal. Não é possível que milhares de pessoas estão erradas e só eu sou a certa do universo. Huahauahauhau. Por isso faço questão de pontuar nas minhas resenhas bem claramente o que eu não gostei, e até a forma como eu conheci os livros. Pq cada um tem gostos diferentes, e o que foi um absurdo pra mim pode ser uma puta besteira pros outros. Mas eu fiz vocês rirem, e isso é o que importa! Huahauhaua

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  3. Menina, que resenha show!
    Ri litros aqui com sua maneira extrovertida de escrever. A parte da vovozinha foi hilária com o pornô. kkkkkkkkkk
    Olha, ainda não li, mas fique mega curiosa, suspense não é muito minha área, mas depois de alguns livros da Tordesilhas, acabei por me apaixonar pelo gênero..

    http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Ah, obrigada pelos elogios. Estou tão feliz que vocês acharam pelo menos engraçado! Huahuahauhaua.
      Olha, eu acho que se você tá curtindo suspense, pode até gostar do livro. Eu sou a eterna cricri, e pra eu gostar 100% de um livro é uma luta! Huahauhaua

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  4. Hahahahaha
    Amanda, adorei a maneira que você escreveu rsrsrs
    Nunca confio no pessoal da livraria.
    Uma vez minha amiga foi comprar um livro de presente pra mim e um carinha na livraria fez ela levar 1222 da Anne Holt.
    Meu Deus!! O livro se arrasta! E a protagonista é insuportável. Não dá pra confiar nesse povo não gente rsrsrsr

    Beijão.
    Diego
    literamusicas.blogspot.com.br

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    1. Diego, que bom que gostou! Olha, é dose mesmo. Eu não costumo aceitar muito a opinião dos outros sobre livros, pq eu sou chata que só vendo. Mas eu resolvi arriscar, pq tô muito por fora do gênero.
      Esse que vc citou eu não conheço. É ruim é, menino?

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